Apenas lamentar
A morte da menina Raila Rocha dos Santos por possível falta de ambulâncias e UBSs com equipamentos médicos adequados para atender casos graves e delicados pode ser um dos primeiros resultados fatais da falta de prioridade à saúde pública de Jacareí, há tempos denunciada pelo Comus (Conselho Municipal da Saúde), profissionais da área, MP (Ministério Público), Justiça e pelos que mais necessitam do sistema: os usuários.
Não há de se fazer exercícios de opinionismo condicional, mas o bom senso indica que muitos dissabores poderiam ser evitados se o governo municipal desenvolvesse amplas políticas públicas para garantir o direito à cidadania, que só será efetivamente posto quando governantes (em qualquer nível) permitirem, pelo menos, o direito à vida.
A prevenção e manutenção da vida extrapolam projetos miraculosos, intervenções com resultados insatisfatórios e inaugurações de equipamentos de saúde apenas para que sejam garantidos espaços midiáticos.
Inversão
A prefeitura e o Saae (Serviço Autônomo de Água e Esgoto) de Jacareí estão numa cilada de bico.
As duas instituições, que deveriam lutar pela preservação ambiental, são acusadas de transformar uma área no Jardim Pedramar em depósito de lixo.
Pior, tudo acontece em um local próximo a uma mina de água. Alguns moradores afirmam que o caminhão da prefeitura já jogou até um cachorro morto nas proximidades.
Nas questões de saúde e ambiental é mesmo uma inversão de prioridades.
Transparência
A prefeitura não responde aos leitores do Semanário sobre estes problemas que afetam diretamente a vida das pessoas.
O que não deixa de ser um desserviço ao fortalecimento da democracia.
Das duas uma: ou a tal transparência dos atos públicos só serve para a propaganda positiva ou o conceito de transparência mudou radicalmente e passou a ser a ação de não explicar o que não pode, nem por magia, ser explicado.
Talvez, o governo municipal tenha aderido à tática do silêncio sobre problemas na tentativa de solucioná-los apenas pelo fato de ignorá-los.
Perfumaria
O uso da máquina pública para atender algum tipo de interesse pessoal (e mostrar uma conservação de fachada) é o exemplo típico de que algumas ações nascem da necessidade de tapar o sol com a peneira.
Enquanto é acusado de bagunçar o coreto em algumas regiões, o Saae determinou que fosse embelezada a Praça da Matriz justamente na semana em que a igreja será palco da cerimônia de casamento prefeito Marco Aurélio de Souza (PT).
Deve ser apenas coincidência das datas. Mas os responsáveis pela autarquia deveriam seguir o pensamento elaborado por Júlio César: à mulher de César não basta ser honesta, é preciso que ela tenha uma imagem de honesta.
Por mais que tente explicar os motivos dos serviços, o Saae deixou a imagem de uma instituição transformada em instrumento para agradar ao prefeito.
Moradores da região central, que sofrem com o descaso da administração, mas não perdem uma piada, esperam que novos casamentos de vips públicas acontecem por lá.
Cobrança
A partir de agora, candidatos terão que prometer e cumprir.
Este é o entendimento do TJ (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo), que manteve a decisão de cobrar do prefeito a promessa de construir um hospital.
Promessa, aliás, registrada em cartório e que apontava uma preocupação não demonstrada depois dos resultados das urnas.
Nas verdadeiras democracias é assim mesmo: a harmonia entre os poderes não deve impedir a fiscalização e eventuais cobranças de um pelo outro.
O episódio serve de alerta aos promessinhas e de alento aos eleitores.
A ver navios
E por falar em promessas eleitorais, os jacareienses ao invés de verem a chegada da escola técnica federal, prometida pelo então candidato à reeleição presidencial Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ficaram a ver navios.
Os petistas, que tanto atacavam seus adversários por fazerem falsas promessas, aprenderam que a emblomação é um instrumento a serviço da atividade política.
Desfalque
Marina da Silva, a senadora acreana transformada em ministra do meio ambiente do governo Lula, sofreu na pele as mudanças ideológicas e de rumo do PT, ao qual ela pertence.
Marina entregou o chapéu e a carta de demissão.
O motivo: o presidente Lula e a toda-poderosa ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, reclamavam da lentidão de concessão às licenças ambientais.
As tais concessões abrem um perigoso espaço para a agilização das obras do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento), que não têm lá muito respeito à preservação ambiental.
A saída de Marina da Silva, uma ministra com visibilidade internacional e respeitada pela comunidade ambiental de todo o mundo, revela que as mudanças drásticas na ideologia petista estão chegando ao extremo.
Assim, a ânsia da perpetuação no poder é transformada na única meta a ser alcançada por aqueles que sempre bateram, e forte, na vitória a ser obtida por qualquer custo.
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