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Protógenes Queiroz fala de corrupção em palestra em Jacareí


Cerca de 250 pessoas compareceram na terça-feira, 30, no auditório do Sest Senat para prestigiarem a palestra do delegado da PF (Polícia Federal) Protógenes Queiroz. Com o tema Combate a Corrupção no Brasil – Uma História Real, Protógenes usou a linha do tempo para traçar reflexões sobre a administração do poder público no país.

Com as informações, o palestrante deu fundamento as suas opiniões, levantou questões sobre o comportamento dos cidadãos diante de seus direitos e esclareceu o seu trabalho junto à Policia Federal.
Para Protógenes é necessário que os brasileiros se unam, exercendo a cidadania, para tirarem os políticos corruptos do poder e colocarem pessoas honestas para administrar o país. O delegado afirmou que é raro encontrar no Brasil um político comprometido com a causa pública e que está nas mãos dos brasileiros mudar esse cenário.


O delegado Protógenes Queiroz enfatizou a importancia do exercio da cidadania no combate à corrupção

Protógenes enfatizou o fato das riquezas do país serem internacionalizadas e citou exemplos como o petróleo e o Banco do Brasil. Ele falou ainda sobre o descaso com a saúde pública, a precariedade na rede de ensino e as “cancelas”, ou seja pedágios, que interrompem o direito dos cidadãos de ir e vir.
Em todos os casos, o delegado relatou situações, algumas vividas por ele, para dar veracidade as informações.

Questionado sobre a Operação Satiagraha e outros trabalhos investigativos que ganharam grande impacto na mídia, Protógenes relatou tudo que está documentado e foi denunciado por ele. (Veja reportagem nesta página).
O delegado finalizou a palestra com um depoimento pessoal sobre sua família, que sofre conseqüências de todo o seu envolvimento com as operações, em especial a Satiagraha.

Segundo ele, além de ser afastado do cargo da PF, seus dois filhos, de 8 e 22 anos, e sua mulher sofrem de depressão e recebem atendimento psiquiátrico.
Entre as dúvidas não esclarecidas por Protógenes está a sua possível candidatura às próximas eleições. O delegado disse ter simpatia por alguns partidos como o PC do B, mas não afirmou se existe ou não a possibilidade. “Existem vários Protógenes pelo Brasil que pode assumir essa posição”.

Operações acabaram com anonimato de delegado

Depois do caso Corinthians, com evasão de divisas e lavagem de dinheiro, as fraudes da arbitragem do futebol Brasileiro em 2005, as remessas ilegais de dinheiro para paraísos fiscais desviadas da Prefeitura de São Paulo pelos os ex-prefeitos Celso Pitta e Paulo Maluf, a operação que prendeu o comerciante Law King Chong, considerado o maior contrabandista do Brasil, e a Satiagraha, que resultou na prisão do banqueiro Daniel Dantas, o delgado Protógenes, que segundo ele, era mais um desconhecido no país, passou a ser um dos principais nomes vinculados na mídia brasileira.

A repercussão do seu trabalho foi dada a partir da denuncia que envolvia empresários e políticos em esquemas de desvio de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro.

Depois de dez anos de trabalho na PF, Protógenes foi afastado do cargo e responde a processos por fraude processual e quebra de sigilo por conta da sua atuação na operação Satiagraha.

Sem receios, Protógenes não cansou de afirmar o envolvimento de Daniel Dantas no esquema. “Descobrimos contas do banqueiro Daniel Dantas no exterior com volume de transações de R$ 17 bilhões. O cara tem cerca de 1.400 concessões de exploração de subsolos brasileiro. Ele mantinha projetos que visava controlar a política do país. Denunciei isso no Senado nas duas CPI’s que participei e nenhum parlamentar deu atenção”, disse.




Perfil:
Formado em Direito, Protógenes Queiroz advogou, foi procurador-geral de São Gonçalo e admitido como delegado na Polícia Federal em 1998.



 
 

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<<<Edição 835, 3 de Julho de 2009



 



 

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