Enchentes preocupam moradores do Centro

A chuva de terça-feira, dia 2, deixou diversas ruas e casas inundadas na cidade. Segundo moradores, o problema dos alagamentos não é somente conseqüência do excesso de chuvas desse começo de ano, mas é também resultado do transtorno causado pelas obras do córrego Turi. A empresária Vera, dona de uma pequena farmácia na esquina da Rua Siqueira Campos, relata que na manhã da quarta-feira, dia 3, encontrou diversos remédios boiando na água que entrou na farmácia na noite anterior. “Infelizmente, eram remédios caros. Ainda nem tive tempo de calcular o prejuízo”. Vera e o marido abriram a farmácia em julho do ano passado, e já é a quinta enchente que a loja enfrenta em sete meses de funcionamento.



Cintia Aline da Silva, que também teve a casa inundada na chuva da última terça-feira, afirma que as enchentes na rua José Francisco de Paula, no Parque Itamaraty acontecem há pelo menos 14 anos. “A Prefeitura nunca fez nada pra mudar isso. Agora dizem que estão despoluindo o córrego e fazendo reformas, mas até agora a situação só está piorando”.

Cintia conta que na pior das enchentes, em 2005, a família perdeu tudo o que tinha quando a água invadiu a casa. Na tentativa frustrada de salvar os móveis, Cintia sofreu um acidente “Ao entrar em um dos quartos, a água havia invadido o circuito elétrico através de uma tomada e eu fui fisgada no pé por uma corrente elétrica. Caí na água e fiquei tomando choque até que meu cunhado me puxou.

Alguns dias depois, fui internada com pneumonia, através de meu convênio médico, já que não recebemos nenhuma ajuda da prefeitura”. Com a chuva do dia 2, sua casa alagou novamente. Quando a reportagem chegou ao local, por volta das 17h da quarta-feira, a rua ainda estava coberta de lama. Os moradores lavavam as calçadas com suas próprias mangueiras. “Não sabemos mais o que fazer. A rua fica cheia de lama e, quando solicitávamos ajuda da prefeitura pra nos ajudar a limpar as casas, eles diziam que não poderiam vir. E é assim que nós vivemos. Compramos muitos produtos de limpeza e limpamos tudo, sabendo que, em breve, sujará novamente”.

Obras no Turi – A forte chuva de terça-feira também trouxe problemas ao professor Cassiano Moreira, dono de uma escola de inglês na Rua Santa Catarina, na Vila Pinheiro. “A casa não encheu graças a comporta que eu tive que fazer, mas o quintal amanheceu cheio de barro, depois de ficar alagado na noite anterior”. Cassiano conta que no dia da chuva, ficou na escola até tarde tentando evitar o pior. Se a água invadisse a escola, os alunos não poderiam ter aulas e muito material seria perdido. No dia seguinte a água baixou, mas o barro que cobria sua porta ainda estava lá.

“Comecei a limpar e percebi que era muito barro, não ia dar conta sozinho. Solicitei então, o caminhão pipa da prefeitura, logo pela manhã. Me disseram que os caminhões já tinham saído e que iriam chegar até mim, mas sequer me deixaram dar meu endereço. Disseram que me achariam. Isso não é resposta”, afirmou Cassiano. Além da enchente, que também é problema constante no bairro, os moradores estão preocupados com a obra do ccórrego Turi, que está interditando as ruas do bairro.

A rua Minas Gerais está interditada há quatro meses por conta das obras e têm trazido prejuízo ao comerciantes locais. O mecânico Paulo, vizinho de Cassiano, relata o medo do prejuízo quando as obras chegarem na sua porta. “Se interditarem aqui, os carros não entram e nem saem da oficina. Não tenho como trabalhar.” A empresa responsável pela obra do Turi enviou um caminhão próprio para limpar a rua. A assessoria de comunicação da Prefeitura não quis comentar o assunto.


 
 

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<<<Edição 863, 29 de Janeiro de 2010



 



 

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