|
Estudo aponta incidência de morte súbita em São Paulo
Um estudo feito pelo Incor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da FMUSP), Sobrac (Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas) ligada à SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia) e o Departamento de Estimulação Cardíaca Artificial da SBCCV (Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular), com base nos dados oficiais do Ministério da Saúde, apontou a incidência de morte súbita na população da cidade de São Paulo. São 21 mil pessoas acometidas por esse mal a cada ano, sendo a maioria delas (90%) em decorrência de problemas cardíacos.
De acordo com a pesquisa, grande parte poderia ser salva se diagnosticada e tratada a tempo, com medicamentos e cirurgia de ablação.
Segundo o cardiologista do Incor e coordenador da pesquisa, doutor Martino Martinelli, a partir dos números de São Paulo, que estão alinhados com o que acontece na maioria dos países, estima-se que 212 mil pessoas sejam acometidas de morte súbita a cada ano no Brasil. Martinelli afirma que o estudo é importante porque traz números confiáveis para embasar políticas públicas de saúde, visando a diminuir sensivelmente a ocorrência dessas mortes. “Sabemos agora que 21 mil pessoas morrerão desse mal, em 2010. Precisamos rapidamente identifica-las e trata-las a tempo”.
A ocorrência de óbitos em São Paulo devido a morte súbita é superior às mortes causadas por diversos tipos de câncer e duas vezes maior do que aquelas originárias em causas externas, como acidente, assassinato, envenenamento, suicídio e outros.
Na visão do médico, embora o Brasil acompanhe a incidência mundial de morte subida, que é de 0,11% da população, a situação do país não é confortável. Nos Estados Unidos, que tem uma população de 300 milhões de pessoas, são implantados por ano cerca de 20 mil CDI´s (Cardiodesfibrilador Implantável) – aparelho acoplado ao coração para corrigir automaticamente arritmias malignas em pessoas com alta risco de morte súbita. Para se ter uma idéia, segundo dados oficiais do SUS (Sistema Único de Saúde), é implantada por ano apenas 331 desfibriladores, em São Paulo. “Traduzindo, para cada 64 pessoas que necessitam do implante, apenas uma consegue ser submetida ao procedimento”, explica o médico.
Para conter essas mortes, diz Dr. Martinelli, é essencial também a presença de desfibriladores em ambientes de grande circulação de pessoas, como shoppings centers, escolas etc, em número suficiente, com sinalização adequada e pessoal treinado para manuseá-los. “Deve ser implantado, com relação aos desfibriladores, o mesmo conceito dos extintores de incêndio”.
|