Precariedade na Santa Casa revolta pacientes

Assentos rasgados com fungos e bactérias, paredes emboloradas, lençóis encardidos, macas em péssimas condições e um atendimento precário, que incluiu a falta de materiais, medicamentos e profissionais qualificados. Esses são apenas alguns dos problemas constatados por pacientes da Santa Casa de Misericórdia de Jacareí, que por falta de opção e condições financeiras se submetem ao atendimento do hospital que desde 2003 está sob intervenção da Prefeitura de Jacareí.

O prédio, que vai além da fachada pintada recentemente e a recepção reformada, apresenta condições precárias em todo a sua estrutura que abriga um numero significativo de pacientes. Para completar a insatisfação dos usuários, parte da equipe de atendimento não realiza suas atividades de forma adequada.

De acordo com a terapeuta Maria Ednéia de Souza, 50, que acompanha pacientes que ficam internados no hospital, a falta de respeito e compaixão com os pacientes começa na recepção, onde as pessoas esperam horas pelo atendimento em cadeiras desconfortáveis e em péssimo estado. Maria Ednéia disse também que os problemas são ainda piores nos consultórios médicos, na sala de medicação, nos quartos de internação e, principalmente, no Pronto Socorro. “As camas da Santa Casa estão enferrujadas sem grades de proteção, os colchões são finíssimos, os lençóis parecem panos de limpar chão e os cobertores parecem mantas acrílicas, o que eu não daria nem para o meu cão dormir. Sinto vergonha da minha cidade permitir que um hospital trate os doentes sem um pingo de compaixão”.

A terapeuta contou ainda que em uma das suas visitas ao hospital presenciou uma faxineira limpando um quarto onde um paciente tinha acabado de urinar. “Ao invés de limpar o lugar, ela simplesmente esparramou a urina pela área com desinfetante”.

Inconformada com a situação, Maria Ednéia encaminhou uma carta ao Semanário de Jacareí com a denúncia das péssimas condições do hospital com a finalidade de chamar a atenção das autoridades para que medidas urgentes sejam tomadas. “Até quando os políticos da nossa cidade vão comer e dormir tranqüilos sem peso na consciência?”.

A assessoria de comunicação da prefeitura não quis comentar o assunto.

Para conselheiro, município não tem política de saúde

As condições precárias da Santa Casa e as irregularidades no atendimento do hospital são denunciadas há anos por munícipes e órgãos. Apesar dos inúmeros processos na Justiça, ainda não foram constados projetos de melhorias que atendesse as necessidades da população. De acordo com o conselheiro do Comus (Conselho Municipal de Saúde) de Jacareí, Décio Moreira Neto, parte do órgão acredita que os problemas constatados diariamente na Santa Casa são conseqüências da falta de uma política de saúde com projetos adequados. “A administração municipal não conseguiu apresentar ainda uma política de saúde que atendesse as necessidades da demanda. Além de parte dos profissionais não terem experiência para prestar o atendimento, o hospital não possui uma estrutura operacional eficiente, está totalmente desorganizada e mal gerenciada”, afirma o conselheiro.

Décio disse que, apesar da reforma de uma ala do hospital feita no último ano, há muito que fazer na Santa Casa, como a troca dos móveis, a ampliação das instalações e o investimento em equipamentos, já que parte deles é precário.

Em entrevista ao Semanário, Décio afirmou que suas expectativas em relação às ações de melhorias do Comus não são boas, já que a maioria das pessoas que compõem o órgão e que tomaram posse no final de 2009 mostra ter algum tipo de comprometimento com a prefeitura, o que impede a realização de algumas iniciativas. Ele falou que, mesmo diante de tantas irregularidades e descaso, o grupo aprovou as contas do segundo trimestre de 2009 da Secretaria de Saúde e da Santa Casa.

Independente da postura do Comus, Décio e outros conselheiros que já atuavam no órgão estudam estratégias para promover ações que visam cobrar mais desempenho e responsabilidade da prefeitura para que os pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde) tenham um atendimento mais digno e satisfatório.



As péssimas condições do prédio preocupam os pacientes; no destaque a parede embolorada


 
 

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<<<Edição 868, 5 de Março de 2010



 



 

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